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O último verão sem filhos

O Último Verão sem filhos

São as últimas férias de liberdade total. Há que aproveitar para viajar até àquele destino, para dormir noites inteiras, para fazer um jantar bem romântico.

Texto de Patrícia Lamúrias :: Revista Pais & Filhos Agosto 2011

Pais&Filhos Agosto 2011

É naquele filme lindo, Um lugar para Viver (Away We Go, de Sam Mendes), em que Burt e Verona passam os últimos tempos de gravidez – ela já com uma barriga enorme – em busca do lugar perfeito para o primogénito crescer. Visitam familiares e amigos de diferentes locais, sem medo de viagens compridas – de avião, de comboio, de carro e de autocarro – do calor ou do que quer que seja. No início do filme, no momento em que decidem a partida, Verona espanta-se e deixa Burt espantado com a sua própria constatação: «Podemos ir para onde quisermos…». O bebé nasce em Julho, por isso, o último Verão sem filhos é passado em viagem, num ambiente de cumplicidade extrema, mas sem nunca tirarem da cabeça o filho que está prestes a chegar às suas vidas.

Será isso que acontece à maior parte dos casais à beira de perder a liberdade de partirem para qualquer lado, quando quiserem, pelo menos com a mesma facilidade. As últimas férias sem filhos tornam-se um misto de descanso forçado (dormir noites inteiras – muitas, todas – é boa ideia) e tentativa de aproveitar ao máximo para fazer o que não poderão fazer depois (ficar mais tempo na praia, ler um capítulo de um livro seguido, ter um raciocínio completo seguido…), mas será impossível tirar o bebé do pensamento. Isso é certo.

Será importante ter a consciência que estas serão as últimas férias com o mínimo de preocupações? Celina Coelho de Almeida, psicoterapeuta e directora da Clínica Insight, tem dúvidas de que seja possível: «Parece-me difícil que um casal que está à espera de ter um primeiro filho, consiga ter essa consciência, pois os dois estarão ocupados mentalmente com as questões da preparação da chegada do bebé e emocionalmente focados para esta nova mudança, com muita ansiedade, expectativas e receio. Pelo que fica pouco (ou nenhum) espaço mental para pensar que têm de aproveitar o tempo que resta para namorar».

É precisamente isso que está acontecer com Joana Costa. Na véspera de partir para as últimas férias sem filhos, grávida de dez semanas, diz que «ainda não há barriga e já é o centro das atenções».

As férias estavam marcadas antes do teste positivo, com datas semelhantes às dos anos anteriores. A gravidez veio alterar os planos, mas pouco. «Costumamos fazer uns dias de praia e uns dias de guia na mão, sempre em pensar em aproveitar ao máximo enquanto fôssemos só dois», conta Joana. Este ano, o objectivo era mesmo aproveitar a praia perto de casa, pensando em, depois, fazerem umas férias mais emocionantes no estrangeiro: uma viagem de carro até à Croácia. A primeira parte calhou bem com a gravidez, a segunda teve de ser adiada para evitar horas e horas de carro. «Assim, talvez vamos a Porto Santo ou Menorca, qualquer coisa perto e pouco exótica». Nada parecido com a viagem que fizeram a Venesa e a Florença no ano passado. «E vai-me ficar atravessado não termos ido à Islândia enquanto éramos apenas dois.» Para já, a prioridade é o bebé que aí vem, por isso, Joana guardou um terceiro período de férias para Novembro «para tratar das obras no quarto dos hóspedes».

Margarida Neves não quis perder a oportunidade de viajar uma última vez sem fraldas, chuchas e baby-grows atrás. Grávida de cinco meses, passou uma semana em Cabo Verde, na Ilha do Sal, com o marido. A viagem de avião é relativamente curta (cerca de quatro horas) e é um país tranquilo. Pareceu-lhes perfeito. «Um mês antes falei com o meu obstetra e ele disse que não havia problema nenhum.» Só para se certificar, Margarida ainda perguntou se podia comer marisco, ao que o médico respondeu que «se apetecesse muito podia comer, o risco seriam as intoxicações». Preferiu deixar camarões e lagostas de lado e comer no hotel e apenas alimentos que não levantassem quaisquer suspeitas. Para fugir a grandes oscilações com uma barriga enorme, resguardou-se também de passeios de camioneta. Nada que retirasse o brilho às últimas férias sem filhos, que só deixaram boas recordações: «Muita praia, muito namoro, deitar tarde e acordar tarde…». E também algumas recordações cómicas: «A viagem de avião para lá correu normalmente. Para cá, ao fazer o check in deram-nos lugares em primeira classe, porque estavam vagos e porque me viram com um barrigão. Mesmo assim, durante a viagem, apesar de vestir roupa leve e calças de grávida comecei a inchar de tal forma que tive de tirar as calças e vim o tempo todo de cuecas tapada com um cobertor». Ainda hoje se ri a contar a história.

NAMORAR, NAMORAR

Estas férias seriam também a oportunidade perfeita para o casal namorar mais e aproveitar os últimos momentos a sós, situação que será (muito) rara quando o bebé nascer.

Assistirem juntos ao pôr-do-sol 8o nascer do sol provavelmente será mais fácil de presenciar, basta espreitarem pela janela numa das vezes que o bebé acordar durante a noite),; ver uma comédia romântica abraçados no sofá )sem o intercomunicador a fazer de dama de companhia); dar beijos repenicados e outros mimos sonoros 8sem medo de acordar o bebé).

A gravidez é vivida de uma forma diferente por cada mulher e homem, mas, segundo Celina Coelho de Almeida, pode ser um catalizador da paixão: «Em alguns casais, esta é uma fase bastante interessante, de descoberta mútua, e enriquecedora ao nível dos afectos».

A psicoterapeuta, que trabalha muito em terapia de casal, alerta, no entanto que nem sempre tudo serão rosas durante os nove meses. Se já existirem problemas na relação, dificilmente agora vão ser ultrapassados: «É difícil fortalecer uma relação durante a gravidez, porque é um período de grande ansiedade. Esta fase pode até trazer algum desgaste (alterações hormonais da futura mãe, medos, preocupações, preparativos para a chegada do bebé), que normalmente é apaziguado em relações que já estão fortalecidas». O homem tem em conta que a mulher «precisa muito de se sentir apoiada pelo marido» é importante: Assim como é essencial «poderem fazer a dois uma representação mental deste bebé (como é que será, como é que vamos ser pais, que angústia sentimos)», sugere a terapeuta de casal.

 

Quando o bebé nascer, este espaço de dialogo, de partilha e compreensão deve continuar a ser estimulado. E não se deve perder o espírito de viajar (se é que já existia), nem o desejo passar momentos a dois.

Quatro anos depois do nascimento do Guilherme, Margarida confessa que nunca mais foram de férias para o estrangeiro e que os momentos a dois são muito raros. «Mas existem outras compensações», desabafa num tom conformado. A quatro anos e sete meses de distância de Margarida, Joana acredita que vai conseguir recuperar parte do ritmo algum dia: «Sei que tão cedo não vai ser possível, mas tendo avós disponíveis – e estão os quatro – porque não pensar em dias só para nós? Mas sei que só quando o bebé estiver cá fora serei capaz de avaliar».

Celina Coelho de Almeida lembra que é importante que os casais «aceitem os primeiros meses de vida do filho como uma fase de grande importância para o desenvolvimento emocional do bebé e de menos investimento na relação». Mas, depois, é preciso dar a volta por cima. «Esta fase termina quando ambos sentem que conseguiram adaptar-se aos novos ritmos da vida a três e conseguem estar novamente disponíveis para encontrar um novo espaço para o casal.» Só que ninguém sabe exactamente quando é que isso vai acontecer. O melhor é aproveitar já.

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